2.4.12

Antigas profissões desaparecidas


Na medida em que as cidades vão desenvolvendo sua infraestrutura e se modernizando, algumas profissões, até então consideradas indispensáveis, vão desaparecendo da rotina urbana. Em Itu/SP, isso não foi diferente.
O historiador Francisco Nardy Filho, listou algumas dessas ocupações que hoje se transformaram em verdadeiras lendas de nossa cidade. São elas:

                                                                "Os Faquinhas", 1938.
 
- Aguadeiros: eram escravos de ganho (geralmente trabalhavam na cidade, executando qualquer serviço em troca de algumas moedas) que, em latas e barris, iam apanhar água no chafariz do Pe. Campos, na bica do Broxado ou na fonte do Convento Franciscano, para abastecer as casas. Vendiam o barril a 40$ (quarenta réis), já que as águas dos dois córregos da cidade eram aproveitadas apenas pela lavadeiras. Com a inauguração do serviço de abastecimento de água, em 1888, desapareceram os aguadeiros. Logo em seguida, com a Lei Áurea, desapareceram os escravos de ganho.

- Acendedor de lampião: a um custo anual de 6:000$000 (seis contos de réis), todo o serviço de iluminação pública da cidade, era de responsabilidade do Sr. Joaquim Leitão. Esse “concessionário”, digamos assim, tinha como funcionário um acendedor de lampiões, chamado Zé Caifás. Durante o dia ele limpava os vidros dos lampiões e os abastecia (economicamente, afirma Nardy Filho) de querosene. As 22:30 eram acessos os lampiões e até 00:00, todos já estavam apagados, fazendo com que Zé Caifás os acendessem novamente. Em noites de lua cheia, nos consta, não havia iluminação. Com a chegada da luz elétrica na cidade de Itu/SP, em 1904, a profissão de acendedor de lampiões desapareceu.

- Rachador de lenha: levava em seu ombro um machado muito afiado, percorrendo a cidade em busca de alguma carga de lenha para cortar e, em seguida, vendê-las como combustível de fogão. Posteriormente, vieram o fogão elétrico e a carvão, seguidos das serrarias que forneciam a serragem e a lenha devidamente cortadas... foi o fim dos rachadores de lenha.

- Cabungo da cadeia: esse era o terror das famílias ituanas que residiam nas ruas do Carmo e Direita, uma vez que, por volta de 21:30 hs era só alguém ouvir uma carroça se aproximando e, imediatamente, todas as portas e janelas se fechavam para o limpador de fossas passar, empesteando o ar com seu fedor característico. Com a criação do serviço de captação de esgoto, foi-se junto o cabungo e também o martírio dos cidadãos ituanos.


FONTE: NARDY FILHO, Francisco. “A Cidade de Itu: cronologia ituana”. Itu: Ottoni Editora, 2ªed., vol.IV, 2000.
FOTO/CRÉDITO: “Faquinhas”, contratados pela prefeitura para a limpeza das ruas (1938) / Gabriel Pupo Nogueira.


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